sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Bolo-Rei

De forma redonda, com um grande buraco no centro, o Bolo-rei é feito de uma massa branca e fofa misturada com passas, frutos secos e frutas cristalizadas. Aparenta uma coroa incrustada de pedras preciosas.

A tradição surgiu em França, no tempo de Luís XIV, para as festas do Ano Novo e do Dia de Reis. No entanto, com a Revolução Francesa, em 1789, a iguaria foi proibida por causa do nome. Felizmente, e como o negócio era rentável, os pasteleiros continuaram a confecioná-lo sob o nome de gâteau des sans-cullottes.

Em Portugal, a primeira pastelaria a vender e a confecionar o Bolo-rei foi a Confeitaria Nacional, em Lisboa, por volta do ano de 1870, através duma receita trazida de Paris. No Porto foi posto à venda pela primeira vez em 1890 por iniciativa da Confeitaria Cascais feito, também, segundo uma receita que o proprietário trouxera de Paris. Assim o Bolo-rei atravessou com êxito os reinados da rainha D. Maria II e dos reis D. Pedro, D. Luís, D. Carlos e D. Manuel II.

Mas, com a proclamação da República, a 5 de Outubro de 1910, vieram os piores tempos para o Bolo-rei, ficando em risco a sua existência por causa da palavra “rei”, símbolo do poder supremo que tinha sido derrubado. O bolo tinha que desaparecer ou arranjar outra designação.

Os pasteleiros continuaram a fabricá-lo, mudando-lhe o nome. Hoje, o bolo recuperou o seu nome original e, apesar da proibição da fava e do brinde, continua a ser um dos doces mais presentes em toda a quadra Natalícia.

Profª Natércia Caravela


Sem comentários:

Enviar um comentário